Publicada em: 27/04/2005 às 20:13 |
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Muito além da aparência
Onde quer que vá, Jana Guinond nunca passa despercebida. E a partir do dia 7 de maio, essa radialista-atriz-produtora-compositora, nascida em Padre Miguel, Zona Oeste do Rio, vai ser conhecida em todo o Brasil. Nesse dia, sua história será revelada em documentário exibido pelo canal pago GNT. Para ser escolhida, Jana disputou com 600 candidatas que realizaram o teste para o projeto. O documentário faz parte de uma série chamada Mulher Procura..., que vem sendo exibida desde 26 de março. A produção é da Aquarela Filmes. “Fiquei apavorada a princípio. Depois me acostumei com a idéia de ter milhares de novos ‘amigos íntimos’ e propus à produção mostrar também o meu universo”, justifica Jana. A jovem conduz o espectador para uma paisagem que nem sempre é vista na mídia quando se fala da riqueza cultural da cidade. “Ela trouxe a valorização da cultura negra e da consciência social, é uma pessoa super batalhadora que não tem vergonha de se assumir suburbana”, analisa Nadya Nina, idealizadora e uma das produtoras da série, ao lado de Fabrício Cannavizes. O quente da Zona Norte O ponto forte do documentário é a vida cultural do subúrbio: das festas do Ponto Chic Charm, em Padre Miguel, ao Viaduto de Madureira, na Zona Oeste da cidade.
Os “cartões postais” suburbanos estão lotados de personagens locais. Até a ex-sogra gravou um depoimento sobre ela. “De toda a série, meu documentário foi o que mais teve gente participando, foram 98 pessoas. Eu dizia: ‘filmem minha galera que também vão estar me filmando”, lembra. Moradora da Tijuca (bairro tradicional da Zona Norte) há dez anos, ela circula bem entre os dois mundos e identifica as principais diferenças de comportamento. “Na Zona Sul, não vejo ninguém pedir a bênção para a mãe. Mesmo sendo uma mulher ‘moderna’, acho isso lindo, um sinal de respeito”, aponta. Por outro lado, na Zona Sul a informação circula mais livremente e os eventos acontecem com mais facilidade.
Hoje é requisitada para anúncios de lojas de eletrodomésticos, produtos de beleza, supermercados e campanhas de promoção de vendas. “Quando disse a minha mãe que ia fazer teatro, ela quis me poupar do sofrimento da vida de artista e disse que não era para gente negra e pobre. Sempre achei isso uma bobagem e segui em frente”, conta. “Comecei a me interessar em valorizar a auto-estima e o auto-conhecimento. Saber mais sobre a cultura afro-brasileira também foi importante para fortalecer minha identidade e minhas raízes”, explica. “É importante estar falando coisas boas, para cima, que estimulem as pessoas a acreditarem no seu próprio potencial. Acredito no poder da palavra e do pensamento positivo”, discursa. O programa é recheado de dicas, desde o melhor da programação cultural gratuita até sobre como identificar a variedade de instrumentos
Quem olha para Jana vê uma mulher segura e orgulhosa de suas raízes. De olho no poder de sua imagem, ela foi escolhida por uma multinacional para promover a venda de um protetor solar especial para pele negra em salões de beleza da cidade. E o que deveria ser uma breve apresentação do produto virou uma verdadeira palestra sobre auto-estima e história. “Escolhia a mulher de pele mais escura para enaltecer as qualidades da pele negra. Era o maior rebuliço. A maioria ficava assustada e reconhecia que nunca tinha ouvido falar que sua pele era boa”, conta. Outro episódio que lhe chamou a atenção, foi perceber que meninas negras de uma escola pública visitada pelas integrantes da ONG Melanina desenhavam a si mesmas como crianças louras de olhos azuis. “Temos que falar sobre isso! As crianças não estão se enxergando como negras, imagine a frustração quando se tornarem mais velhas?”, contesta. |
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