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| Projeto dá orientações às jovens grávidas |
Segundo dados governamentais, no Brasil a cada ano, cerca de 20% das crianças que nascem são filhas de adolescentes. Os motivos são os mais variados. Falta de informação, famílias desestruturadas, irresponsabilidade e até mesmo falta de opção de entretenimento entram na lista. Tentando diminuir essas estatísticas há dois anos, o projeto Ana e Maria atua em diversas comunidades do Rio de Janeiro atendendo cerca de 200 adolescentes. Mostrando que quando o assunto é prevenção tanto o menino quanto a menina são responsáveis.
As seis Anas, segundo a coordenadora do projeto, Cibele Dias, 49 anos, são todas técnicas em enfermagem, registradas no Conselho Regional de Enfermagem (Coren). Além disso, constantemente elas passam por capacitações para atender as cerca de 200 adolescentes do projeto:
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| Cibele(D): não negamos informação a ninguém |
“Atendemos mulheres grávidas ou com filho de até 2 anos. Trabalhamos com prevenção da gravidez na adolescência (planejamento familiar), DSTs/Aids e exploração sexual (tráfico de seres humanos). Essas capacitações ajudam a aumentar a estima da adolescente contribuindo para que ela saia do grupo de risco de aliciadores. Também orientamos e encaminhamos para os serviços que existem próximo de onde elas moram, tais como hospitais, postos de saúde e pré natal. As vezes as próprias meninas não sabem os serviços que existem em suas comunidades”, diz Cibele.
O projeto funciona diariamente em associações de moradores, postos de saúde e até em uma sala cedida por um Ciep. Atualmente o Ana e Maria atua nas comunidades Chapéu Mangueira, Colônia Juliano Moreira, Pavão-Pavãozinho, Rocinha, Nova Holanda, Baixa do Sapateiro e Cavalão. Entre os muitos temas que vão surgindo durante os encontros, Cibele acha fundamental sempre mostrar às jovens mães que elas não precisam abandonar seus sonhos com a chegada do bebê:
“A maior dificuldade é fazer com que essas meninas entendam que informação é mais importante que qualquer outra coisa e que a vida dela não parou por causa de uma gravidez. Por isso, incentivamos a volta aos estudos e capacitamos para o trabalho informal. Assim ela pode ajudar no orçamento da família até entrar no mercado de trabalho".
Outra dificuldade encontrada é convencer às jovens da necessidade do uso constante da camisinha feminina ou masculina. Como ter sexo seguro é uma decisão que tem que ser tomada pelo casal, há cerca de quatro meses o Ana e Maria decidiu investir também nos rapazes criando a “Oficina dos Josés”. A idéia é mostrar que os meninos são tão responsáveis quanto a meninas.
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| Leonardo(D) responsável pelas oficians |
“As meninas não fazem filho sozinhas. Nossa idéia é fazer prevenção nos dois gêneros. Com isso temos conseguido um bom resultado. Já começamos a primeira aula desconstruindo a idéia de invulnerabilidade que o adolescente tem. Assim vão caindo muitas barreiras. Além disso percebemos que a maioria deles não conhecem o próprio corpo”, diz o técnico de enfermagem Leonardo Vasconcelos, 19 anos, responsável pela oficina com jovens pais.
Para Daniel Soares de 19 anos, morador da Nova Holanda, no Complexo da Maré, a oficina contribuiu muito para mudar o seu comportamento sexual:
“Tinha muitas coisas que não sabia e acabei aprendendo ali. Vários tipos de doenças que podia estar transmitindo e eu não sabia. Depois do curso comecei a me prevenir melhor. Antes tinha namorada e de vez em quando não usava camisinha. As vezes até por preguiça mesmo. Agora sempre que vou ter relação sexual não dispenso a camisinha”.
Tudo o que aprendeu na oficina Daniel diz retransmitir para seus amigos, agindo como agente multiplicador de informação na comunidade onde mora.
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| Daniel: agente multiplicador na comunidade |
“Tinha muita gente aqui que não sabia quase nada sobre sexualidade. Para ter uma idéia, tem um menino de 12 anos que mora perto de minha casa que já é pai. A namorada dele deve ter a mesma idade. Fiquei surpreso quando soube, pois praticamente vi os dois crescerem. Passei algumas coisas para ele também”, diz.
A guerra trazendo a vida
A falta de opção de entretenimento devido a guerra do tráfico na Rocinha, Zona Sul, há cerca de três anos, segundo Gabriela dos Santos, 21, foi um dos motivos para a jovem engravidar de sua primeira filha. A jovem, que cresceu cuidando dos irmãos mais novos, diz ter mudado poucas coisas em sua vida com a chegada do bebê. Exceto, ter que deixar a escola antes de completar o Ensino Médio.
“Eu era muito farrista. Saía sempre. Aí a Rocinha entrou em guerra e ninguém mais saía de casa com medo da violência. Na verdade todas as minhas colegas tiveram filhos porque ficavam em casa sem nada para fazer. Aí cada colega começou a namorar, umas casaram, outras tiveram filho e hoje já estão separadas. Não tinha mais com quem sair. E eu fiz o mesmo caminho delas. Foi mais para ocupar o tempo”, diz.
Mas esse tempo é longo e até as crianças crescerem é necessário muito cuidado, além do investimento financeiro. Atualmente morando na Colônia Juliano Moreira, Gabriela é uma das alunas do projeto Ana e Maria no local. Para ela, entrar no projeto é uma forma de aprender um pouco mais enquanto não realiza seu maior sonho:
“Minha vontade mesmo é trabalhar para ajudar meu marido a fazer nossa casa, para a gente ter uma vida melhor. Só ele trabalhando sozinho fica complicado. Está difícil também conseguir emprego. Enquanto isso estou aprendendo a me cuidar melhor para não ter mais filhos".
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