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| Adriana: 50 clientes por mês |
O alto índice de desemprego no País faz cada um se virar como pode. Aos poucos crescem as profissões informais, que garantem o pagamento das contas no final do mês. Entre elas encontra-se a das manicures itinerantes, que vão de casa em casa atender aos clientes, em sua maioria, fregueses fixos. As profissionais oferecem entre muitos outros benefícios a segurança no uso dos instrumentos e a comodidade. Além disso, a proximidade no atendimento, por vezes, acaba por transformá-las em uma espécie de psicóloga.
Há cinco anos, com o desemprego do marido e o nascimento da filha, a moradora de Saracuruna, na Baixada Fluminense, Adriana Machado, 32 anos, procurou um curso para ter outra profissão. Inicialmente, ela só atendia em sua própria casa. Mas com o passar do tempo, a moça acabou se transformando em uma das muitas manicures que atendem em domicílio.
Ganhando cerca de R$ 700 por mês, é com esse dinheiro que ela paga todas as despesas da família. A profissional atende atualmente cerca de 50 clientes por mês, chegando a trabalhar quase dez horas por dia para dar conta de todos os pedidos. Quando compara com o seu antigo emprego de doméstica, na Penha, Zona Norte do Rio, ela diz que as vantagens são muitas:
"Foi a melhor coisa que eu fiz. Já tive vários convites para trabalhar em salão, mas nunca quis. Hoje eu ganho muito mais do que quando trabalhava em casa de família. Antes eu ficava cerca de duas horas dentro de ônibus e trem para chegar ao trabalho. Hoje não preciso mais pegar condução, ando Saracuruna toda de bicicleta mesmo", diz satisfeita.
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| Profissionais oferecem segurança, comodidade e cumplicidade |
Como a maioria dos fregueses fazem as unhas toda semana, acabam se estabelecendo laços de amizade. E assunto é o que não falta. Conversam sobre tudo: desde os últimos acontecimentos das novelas até questões familiares. Esta relação, por vezes, faz com que as profissionais se tornem uma espécie de psicóloga, escutando, dando conselhos e trocando experiências de vida. Mas para esta função não é cobrado nada:
"Faço unha uma vez por semana. O bom é que conversamos muito. As vezes acontece alguma coisa na televisão e a gente fica batendo papo. Ela fala dela e eu de mim. É quase alguém da família. No salão, cada vez que se vai tem uma manicure diferente, nunca tem uma fixa. ", conta a estudante de biologia, Daniele Cristina, 25 anos, cliente de Adriana.
Em sua casa Daniele não é a única que se mostra satisfeita com os serviços da manicure. Há cerca de quatro anos, Adriana faz também as unhas da mãe e da irmã da jovem. Um dos motivos, segundo Daniele, que antes procurava o salão, é a preocupação com a higienização dos instrumentos:
"É bem melhor fazer em casa. Primeiro porque é mais cômodo pra gente. Depois porque dá para saber se o material está mais limpo ou não. Ela desinfeta o alicate na frente do cliente com álcool e água fervendo. Isto dá uma sensação de maior segurança. Além disso, gosto do trabalho dela. Ela é muito boa pintando com esmaltes claros e fazendo desenhos nas unhas", afirma satisfeita.
A moda é inventar
Entre os vários modelos de unhas, o mais pedido continua sendo a da técnica chamada "francesinha". Os desenhos também são bastante pedidos. Aí vale tudo - desde flores até estrelas e borboletas. O que importa é ser bastante original. Acostumada com a nova atividade, a manicure de Saracuruna só tem uma preocupação:
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| Criatividade nos desenhos atraem clientela |
"Como eu sou autônoma tenho me preocupado muito com minha carteira de trabalho. Eu penso muito no futuro... Amanhã se eu ficar em cima da cama, debilitada, sem poder me mexer... Minhas freguesas dizem para eu pagar minha autonomia. Estou pensando nisso, porque se eu largar minha profissão, acho que fico deprimida. Tanto que eu gostaria de ter outro bebê, mas acho que se eu engravidar, não agüentaria ficar dentro de casa", comenta.
Por ser uma atividade autônoma essas mulheres dependem basicamente de seu profissionalismo e disposição para trabalhar. A manicure Simone Pereira, 26 anos, terá neste mês o seu orçamento, que segundo ela, chega a R$ 800 mensais, bastante prejudicado. Grávida de dois meses, os constantes enjôos têm dificultado muito sua locomoção até a casa das clientes. Diferentemente de Adriana, a maioria de suas freguesas não são do mesmo local, mas de várias áreas do Rio, como Freguesia, Barra, Ipanema e Lagoa.
Moradora da Cidade de Deus, na Zona Oeste, Simone trabalha há seis anos neste ramo. Ela conta que aprendeu o ofício ainda criança, observando a mãe, ex-manicure. Quando surgiu a possibilidade de trabalhar nesta atividade, a profissional não perdeu tempo e decidiu investir. Ela diz que a principal vantagem é que diferente do salão, o lucro não precisa ser dividido com outras pessoas, além de ter maior flexibilidade no horário.
"Aperta um pouquinho mas dá para criar as crianças. Olha que eu já pensei em mudar de profissão, mas gosto do que faço. Já tenho até clientes que viraram amiga. Tem uma que eu vou, passo o dia na casa dela e minha filha também freqüenta a casa. O bom é que conhecemos gente nova. Cada uma tem uma cultura diferente da outra. Tenho cliente juíza, advogada que trabalha com colchão,enfim, clientes diversas. Assim a gente conhece um pouquinho mais de cada coisa", aponta.
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